DXFoto: Foto analógica, fotografia,
pinhole, filme, revelação, câmera de filme,
lentes e outras coisas analógicas!

Se existe uma imagem que define o imaginário coletivo de Paris como a “Cidade do Amor”, essa imagem é Le Baiser de l’Hôtel de Ville (O Beijo do Hotel de Ville). Capturada em 1950 pelo mestre do humanismo francês, Robert Doisneau, a fotografia transcendeu as páginas da revista Life para se tornar um dos ícones mais vendidos do mundo.

Maaaaaas, por trás da espontaneidade que encanta gerações, esconde-se uma história de encenação, processos judiciais e uma revelação que mudou a percepção sobre a fotografia de rua.

A Magia (Orquestrada) do Momento

Durante décadas, acreditou-se que Doisneau havia flagrado um momento genuíno de paixão nas ruas movimentadas. A verdade só veio à tona em 1992, devido a um processo judicial movido por um casal que alegava ser o protagonista da foto.

Para se defender, Doisneau revelou o segredo: a cena foi, na verdade, posada. O fotógrafo avistou os jovens amantes Françoise Delbart e Jacques Carteaud se beijando, mas sua reserva natural o impediu de clicar no ato. Em vez disso, ele os abordou e perguntou se aceitariam repetir o gesto em diferentes locações, como a Place de la Concorde e a Rue de Rivoli, finalizando no icônico Hotel de Ville.

Fotografia Humanista e a Ética do Olhar

A revelação não tira o mérito técnico de Doisneau. Ele utilizou aspirantes a atores (na época com 20 e 23 anos) para traduzir uma sensação real. Como o próprio fotógrafo afirmou anos depois: “Eu nunca teria ousado fotografar pessoas assim. Amantes se beijando na rua raramente são legítimos”.

A obra levanta um debate clássico na fotografia: a imagem precisa ser documental para ser verdadeira? Para Doisneau, a “verdade” estava na celebração da juventude e do pós-guerra francês, mesmo que para isso fosse necessário dirigir a cena.

O Valor da História

Em 2005, a cópia original que Françoise Bornet (Delbart) recebeu como pagamento pelo “trabalho” foi leiloada por impressionantes 155 mil euros. O valor reflete não apenas a estética da imagem, mas o peso histórico de uma Paris que todos queriam acreditar que existia.

Leia mais:

Artigo anteriorEncontrei câmeras analógicas no lixo

O que você acha?

Nome obrigatório

Website